A América Latina tem é um lugar interessante politicamente falando, pois é um continente que vive de ondas. Se uma coisa acontece em um país, logo os outros repetem. Vejamos: Na década de 30 o populismo de Vargas e Perón; em 60 as ditaduras militares; no fim dos anos 80 a volta da democracia e nos anos 90 a abertura para o neoliberalismo.
A última onda latina foi escolher governos de esquerda para os seus países. Esquerdas mais moderadas como Chile e Brasil, ou mais radicais como Venezuela e Bolívia. O que importa é a onda.
O novo caminho que a Onda Latina segue agora é o feminino. Primeiro com a chilena Michele Bachelet e agora a argentina Cristina Kirchner mostra de vez que a onda veio para ficar. Aqui no Brasil a candidatura relâmpago de Roseana Sarney em 2002 (logo destruída por denúncias de corrupção) mostrou bem que existe sim espaço para a mulher na política. De maneira geral os eleitores vêem as mulheres como mais competentes e confiáveis nos cargos públicos.
Hoje no Brasil existem três mulheres com chances reais de concorrer fortemente em 2010. A primeira delas é a tucana Yeda Crusius, mas ela tem poucas chances, o PSDB já tem quase certo que o nome tucano à presidência será Serra ou Aécio, e o governo gaúcho não vai muito popular.
As duas outras candidatas vêm de um partido teoricamente sem candidato forte em 2010, o PT. Se Lula fizer como promete e não concorrer a re-reeleição, o PT fica sem um nome forte para continuar no governo. O governador baiano Jaques Wagner é uma opção, mas é pouco provável que dê certo, ele teria que fazer um ótimo governo e não parece ser o que acontece.
É aí que surgem as duas outras candidatas: a ex-prefeita de paulistana Marta Suplicy e a ministra Dilma Roussef. Marta é a mais bem colocada nas pesquisas, mas depois que perdeu a prefeitura e ainda mais depois do famosa “relaxa e goza”, suas chances vêm desaparecendo.