sábado, 13 de outubro de 2007

TV Brasil: Governamental ou Pública? Eis a questão!


Muito tem se falado sobre a criação de uma nova televisão pública brasileira, a TV Brasil, nascida de uma iniciativa do governo federal. Os aliados do PT afirmam que a TV Brasil será pautada pelos anseios da sociedade e visará a educação e o espectador como cidadão. Entretanto, os oposicionistas ao governo Lula preferem chamar o novo veículo de “TV Lula”, pois afirmam que a TV Brasil será apenas um meio de comunicação para o Partido dos Trabalhadores fazer suas manobras políticas e manipular a população.

Um fato recente que cria ainda mais polêmicas sobre o futuro papel da TV Brasil é a nomeação da diretoria do canal que ocorreu no último dia 11 deste mês. A presidente do veículo é a jornalista Tereza Cruvinel - que trabalhou durante 20 anos no jornal impresso “O Globo” -, a presidente de jornalismo será a jornalista Helena Chagas – que atuava no Jornal de Brasília – o diretor geral será Orlando Senna – atual secretário do audiovisual -, o diretor da rede será Mário Borgneth - atualmente assessor especial do Ministério da Cultura -, a diretora de jornalismo será a colunista Helena Chagas, o diretor de programação e conteúdo será Leopoldo Nunes - atual diretor da Ancine -, e o diretor de serviços e produtos será José Roberto Garcez - atualmente na presidência da Radiobrás.

Sobre estas decisões a oposição e a própria sociedade acabam se questionando sobre o caráter público ou comercial da nova TV que está por nascer, já que grande parte do seu corpo de profissionais conhece somente a rotina do jornalismo comercial e as diretoria mais importantes, a de jornalismo, ficará em Brasília, ao contrário das outras que se localizarão no Rio de Janeiro.

Para o futuro da nova televisão pública nacional espera-se transparência, descência e o espectador como cidadão e não consumidor. Se a TV Brasil se consolidar realmente dentro dos moldes das televisões públicas, não existirá manipulação e nem distorção da programação conforme interesses. Torço para que realmente se consolide um modelo de caráter público paras as tvs nacionais, pois já estou farta do jornalismo convencional e de seus pontos fracos. Se realmente a população for consultada sobre a programação do canal, assim como afirmou o presidente Lula, a TV Brasil estará um passo a frente da democracia e da pluralidade. Mas este será somente um passo num longo caminho a ser trilhado. Espero mesmo que ela seja diferente das televisões comerciais e que não exista somente para fazer politicagem ou reinvindicar um lugar na mídia que o PT tanto reclama por não existir.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Luto nos palcos, Paulo Autran morre aos 85 anos


Com mais de 90 trabalhos no currículo e 60 anos de carreira, morreu na tarde de hoje, mais precisamente às 16:10, um dos maiores artistas do país. Ele estava internado desde a tarde de ontem e sofria de câncer no pulmão e enfisema pulmonar há praticamente um ano, tendo sido internado várias vezes recentemente. O ator Paulo Autran é conhecido pelo apelido carinhoso de “Senhor dos Palcos” graças a destreza com que desempenhava seus papéis e interpretava seus personagens.

A estréia de Paulo como ator de teatro deu-se em 1949 no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, ao lado da grande amiga Tônia Carreiro na peça “Um Deus dormiu lá em casa”. Outros destaques da carreira de Autran são as peças “Otelo", "Antígona", "My Fair Lady" e "Visitando o Sr. Green", que figuram na lista de 90 peças que contaram com o talento do ator. A última peça em que Paulo contraceneu foi “O avarento”. No cinema, Paulo Autran trabalhou com Glauber Rocha em “Terra em Transe” (1967), filme que é um marco do cinema nacional, e em "Destino em Apuros" (1953), primeiro filme colorido produzido no Brasil.

Embora não gostasse de fazer televisão, por achar que só lhe davam papéis de “debéis mentais”- conforme costumava explicitar em entrevistas-, Autran participou das novelas "Pai Herói", de Janete Clair, "Guerra dos Sexos" e "Sassaricando", ambas de Silvio de Abreu.

Com um currículo tão extenso e com grandioso talento para dramaturgia, é óbvio dizer que Paulo Autran, ou “O Senhor Palco”, fará muita falta para o teatro brasileiro por fazer rir, chorar e refletir. O Brasil não perdeu apenas mais um ator, ele perdeu a alma do povo brasileiro. O que nos resta é agradecer por termos nos emocionado com suas atuações e sua paixão pelo ofício.






Tropa de Elite: Osso duro de roer


Esta semana, não poderia falar de outra coisa senão do filme nacional mais comentado da atualidade, seja por toda a questão da pirataria, pela violência mostrada, ou pela capacidade de questionamento que ele oferece ao espectador. “Tropa de Elite” é estelado por Wagner Moura, ator que já viveu JK na minisserie global homônima e é conhecido por abraçar de corpo e alma os papéis que interpreta. Ele vive o Capitão Nascimento – um oficial do BOPE, batalhão conhecido pela integridade moral de seus componentes e por realizar operações de alto risco em favelas cariocas contra o tráfico de drogas. Na história, Nascimento decide se aposentar do Batalhão e precisa encontrar um substituto que possua todas as características necessárias para ter a “dignidade” de entrar no grupo do “Caveirão”. O diretor de “Tropa” José Padilha que dirigiu também o desconcertante documentário "Ônibus 174", parece ter virado uma espécie de referência no gênero drama e realidade no cinema brasileiro.

O filme realmente toma de assalta o público por mostrar a violência de forma explícita, tanto aquela praticada pelos traficantes, quanto pelos próprios oficiais do BOPE, ou seja, o filme não se restringe a mostrar somente o bom mocismo dos policiais. Um elemento que deve ser notado pelos mais atentos é a grande crítica do autor à nossa sociedade e também ao nosso modo de ver a polícia. Porque a corrupção existe entre os policiais, pensamos que todos eles se enquadram dentro desta prodidão. Tendemos sempre a pensar que a corrupção contamina tudo e todos que estejam ao seu redor. No filme, o BOPE é mostrado como uma facção incorruptível e cria uma contradição com o pensamento das pessoas de que “a polícia como um todo é corrupta”.

Uma cena de “Tropa de Elite” que me saltou aos olhos foi aquela em que um viciado em drogas, “filhinho de papai”, e cuja potencialidade para o tráfico era gritante, participava de uma passeata em prol da paz após o assassinato de seus colegas no morro comandado pelo traficante Baiano. Na cena, o Capitão Matias, tomado pelo espírito dos policiais que fazem parte do Bope, invade a passeata e dá uma surra no “playboy”. Aquilo tudo não passa de uma crítica de Padilha aos jovens usuários de drogas. O que o diretor quis mostrar foi a enorme capacidade que os jovens possuem em não enxergar as coisas como elas são, não perceber que grande parte da culpa de toda violência praticada pelos traficantes deve-se ao fato das pessoas consumirem drogas e darem força ao tráfico. Ora, o tráfico só existe porque as pessoas consomem drogas. E aí, quando um ato de violência é empreendido por traficantes, os usuários de drogas não enxergam que possuem uma "parcelinha" de culpa nesta situação e agem de forma hipócrita e medíocre. O que adianta participar de atos a favor da paz se, indiretamente, os usuários colaboram para o tráfico e, conseqüentemente, para a violência?

Por toda sua crítica tanto à sociedade, quanto à polícia e ao tráfico de drogas, “Tropa de Elite” deve ser conferido sem preconceitos, sem tapas nos olhos. Um pequeno aviso: o filme contém fortes cenas de violência e de práticas de tortura. Portanto, se você possui estômago fraco, poderá se sentir um pouco mal. Mas todos nós saímos do cinema, ao receber esta “injeção de realidade”, com uma certa angústia, pois o filme consegue fazer pensar através do chocar. Confesso que, desde os tempos de “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, não me sentia tão animada com o cinema nacional questionador.

Duelo de Titãs


Sei que diversão eletrônica pode não ser considerada uma vertente da cultura. Entretanto, não posso deixar de abrir um parênteses para constatar que fiquei muito surpreso ao saber, no meio desta semana, que poderei responder a uma das perguntas mais inquietantes dos fãs de games. Afinal, quem é o mais forte: Mario, o encanador bigodudo da Nintendo, ou Sonic, o ouriço terrestre da Sega?

Deixe-me explicar: a série “Super Smash Bros”, iniciada em 1999, junta uma variedade de personagens de franquias da Nintendo conhecidas pelo grande público – como “Super Mario World”, “Donkey Kong” e “Pokémon” – para brigas divertidas em que até quatro pessoas podem jogar. A última versão da série, “Super Smash Bros Brawl” – prevista para lançamento em fevereiro de 2008 para o console Wii – revoluciona ao inserir personagens de empresas diferentes, e que já foram grandes rivais no mercado. É um golpe de marketing certeiro, pois quem teve uma infância de joystick em mãos – como este que vos escreve –, sempre quis travar um duelo entre as figuras mais populares dos jogos dos anos 90.

Os dois personagens me chamaram a atenção igualmente, no passado. Quem não tentou transformar o ouriço no invencível Super Sonic, no Mega Drive? Ou então pegar um cogumelo para crescer e matar os inimigos na base do pulo ou com bolas de fogo, no Super Nintendo? São doces lembranças que poderei condensar jogando um só lançamento (isto é, se eu tiver dinheiro para tanto...). Pra quem acha que é mentira, acesse o site http://www.smashbros.com/ ou veja o vídeo abaixo, e tire as próprias conclusões.



Ah, e só um recado para aqueles que ainda pensam que videogame é “brincadeira de criança”: vocês sabem muito bem quem são Mario e Sonic – no mínimo já ouviu falar deles –, e com certeza vão ter curiosidade pra saber no que “Super Smash Bros Brawl” vai dar. E que atire a primeira pedra quem disser o contrário.