O duplo acidente que ocorreu na última terça-feira na rodovia BR-282, em Santa Catarina, é, infelizmente, apenas mais um dos casos de colisão que ocorrem nas estradas brasileiras.A mídia, é claro, não poderia deixar de relatar. A Folha de São Paulo deu o acontecimento como manchete de capa do jornal de 11 de outubro (quinta-feira) e matéria de página inteira no caderno Cotidiano – cujo nome foi “Acidentes em seqüência matam 27 pessoas” –, e contém desde um esquema ilustrativo, que reconstitui todo o acidente, até uma lista com o nome de todos os falecidos. Um box ainda revela qual seria a punição de Rosinei Ferrari, o motorista que provocou o segundo acidente.
Quanto à gloriosa Veja, de 17 de outubro, houve apenas um relato seco sobre o ocorrido, em três colunas que ocuparam a metade de uma única página. O título da matéria, “Massacre na Estrada”, parece nome dado a um filme B, que seguiria a linha de “Velocidade Máxima”. Não bastasse o desprezo pelo acontecimento, a edição declara escancaradamente a opinião sobre o fato, ao relatar o acidente:
Trafegando a mais de 100 quilômetros por hora, como uma besta desgovernada, bateu em nove veículos e atropelou bombeiros e policiais que estavam na pista no trabalho de resgate. (p.68).
Os exemplos dados questionam um princípio do jornalismo. Afinal, é preciso fazer alarde sobre qualquer acidente que houver, ou basta uma nota de meia página pra relatar o ocorrido? Porque, neste caso, é melhor observar através da mídia do que presenciar a cena de fato, correndo o risco de sofrer um outro acidente. Tomara que essa moda seqüencial não pegue.