
Há algumas semanas atrás, nos deparamos com o falatório mais do que excessivo, que a mídia fez questão de fazer, a respeito do tal Rolex roubado do apresentador Luciano Huck. O melhor de tudo é abrir a página 3 da Folha de São Paulo, no dia seguinte ao fato, e encontrar um artigo assinado pelo próprio Huck sobre sua indignação após ser assaltado. Não que Huck não tenha razão em dizer-se farto da violência no Brasil, mas o que me intriga é toda cobertura desnecessária que a mídia fez sobre o caso. Como sempre, a mídia falou, falou, fez sensacionalismo e a polícia, vendo-se pressionada, deu um jeito de prender os acusados. Pois é a mídia também “aproveitou” para fazer “um pouco” de sensacionalismo em cima do fato de o apresentador “quase levar balas de chumbo na testa”. Ou vai dizer que, ao ver os noticiários seguintes ao fato, você também não pensou nisso?
Pois é, quando o Huck é assaltado, a mídia faz estardalhaço. Mas quando nós, cidadãos comuns, que também pagamos nossos impostos e também estamos sujeitos a violência, ao medo e a angústia de não poder mais andar em paz pelas ruas, sofremos com a atual situação nacional, a mídia se cala. É a velha história: “A mídia só serve para a elite, só faz jornalismo para a classe A, só se interessa pelos que estão no topo da pirâmide social”. Sinto muito, Luciano Huck, mas essa história do assalto que você vivenciou faz parte da sociedade que a mídia tanto defende. Não o culpo por fazer parte deste seleto grupo dos privilegiados. Fico indignada em saber que, enquanto você tem e pode ter quantos relógios de 10 mil reais você quiser, existe gente que não sabe o que é um prato de comida, uma moradia e uma vida digna. É a triste realidade brasileira. E, pelo jeito, logo teremos que nos mudar para Bogotá!
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